terça-feira, 25 de março de 2014

Os sons de Miguelito

Após três meses e alguns dias, os tão esperados sons advindos de Miguel começam a aparecer. Está tudo calmo e, de repente, "tuf, tuf,tuf", o som cadenciado da chupeta anuncia a pura sonoridade impaciente infantil. Ligeiramente retiro a e chamo pelo nome: - Miguel, Miguel. - Ahhhhhhhh, é somente alegria. Ele ainda não fala, obvio, mas nem é preciso, não agora. A sintonia é tanta que faço de conta que entendo tudo e o deixo à vontade para produzir estes sons, chamados aos pais que nesse momento são decifrados: - A chupeta caiu, ele quer dizer. Nunca imaginei que um som tão simples, dissonante, pudesse me chamar tanta atenção. Mas é assim que a vida paterna funciona. Em uma reportagem, recentemente exibida pela tevê Record, a apresentadora e modelo Ana Hickman disse, sobre o seu filho, que ser mãe é apreciar uma pessoa a ponto de nunca cansar de olhá-la, ser pai também. Acreditem, é bem isso. A gente não cansa nunca, por mais estressados que estejamos, nunca deixaremos de gostar de olhá-los. É hipnótico, é fantástico, cada som que sai de suas boquinhas, cada franzir de sobrancelhas, é sempre um convite à festa interior. Mas ainda que não façam nenhum som, o "tuf tuf" da chupeta acaba sempre sendo uma importante isca atrativa aos olhos paternos e maternos.

O inesquecível primeiro mês

O primeiro mês (Para pais de primeira viajem), geralmente é o mais difícil, certo? Errado. No que diz respeito ao nosso sono, ou a ausência dele, o primeiro mês não é tão complicado para o pai, (Se liguem, para o pai). Isto não quer dizer que pra mãe não seja da mesma forma. As mães e os bebes ficam alguns dias na maternidade até ir para casa e durante esse tempo, a mãe tem que ficar acordando e levantando, sozinha, durante muitas e muitas vezes, por varias e varias noites, e dias, para amamentá-lo, trocar a frauda etc., mas depois a volta é certa e partir daí entra em cena os cuidados paternos, que podem acontecer antes dessa volta pra casa, assim a mãe pode poupar algumas horas de sono e a paz reina absoluta na casa. Bom, quase que absoluta, nem tanto assim, afinal existem os momentos de choro, fraudas sujas e acreditem, eles não escolhem a hora para isto. O relógio paterno precisa ser, lógico, reinventado e não cronológico. A hora da mamadeira é qualquer hora, o choro é qualquer hora, o xixi, o cocô é qualquer hora, por isso faz necessário uma reprogramação, mas é só no primeiro mês, até tudo se reorganizar, depois, você fica alerta vinte e quatro horas, independente de sono pesado ou não, mas acalmem-se, tudo isso é só quando eles acordam. O resto do tempo dá pra dormir, trabalhar, estudar, cuidar da casa, o primeiro mês é o mais calmo, disso tenho certeza. Mesmo que deem muito trabalho, o tempo todo, é no primeiro mês que tudo revela-se para os pais (e mães). Tudo é alegria, novidades (Podemos ficar por muito e muito tempo esperando que os bebês chorem, só porque achamos o choro muito bonito, pode?), por isso, desde então, precisamos abandonar o senso do ridículo e nos entregarmos aos mais absolutos gestos ingênuos que brotam no silencio (ou barulho) da presença do nosso filho.

A chegada de Miguel

Após a criação deste blog, venho falar de algo que fez com que parte do meu tempo fosse direcionado à um outro horizonte: meu filho. Mas estava pensando, escrevendo sobre outras coisas e decidi escrever um pouco sobre Miguel e sua chegada. Sem dúvida alguma, um dos momentos mais felizes na vida de um homem, de uma mulher, de um pessoa, é a chegada de um filho. Dia vinte e oito de novembro de dois mil e treze, essa foi a data que nos aconteceu a tão esperada chegada de Miguel. Sete meses após a concepção, e agora? O que faríamos? Primeiramente, o sétimo mês é um período muito crítico, é o momento em que a barriga de fato aumenta, aumenta mesmo, os movimentos do bebe são cada vez mais intensos, dores de cabeça são constantes, o corpo cada vez mais mórbido, além da ansiedade pelo nascimento que está cada vez mais perto, bem mais perto. Sem contar que o bebê já faz parte do imaginário do casal, de toda a família. Estava previsto que o nascimento fosse apenas em janeiro, mas Miguel insistiu que seria sagitariano, de sete meses, não deu outra. Na noite do dia vinte e sete de novembro, Telma foi para a faculdade, passou a noite com um "pequena Cólica" (Inocentes, rsrsrs), quando chegou em casa, por volta de meia noite, a dor já a consumia por inteira. Ainda assim pensamos que seria algo normal, coisa de gravidez, ela então foi até a casa da mãe dela tomar algum chá, remédio, algo que cessasse a dor. Meia hora depois já estavam em direção ao hospital e depois já entrando em trabalho de parto. (Eu, em casa, achando que era apenas uma dorzinha, normal, coisa de gravidez). 4:00am, o telefone toca, minha sogra avisava: "MIGUEL NASCEU, É TÃO LINDO"(ela nem o tinha visto ainda). Não sabia se pulava, se gritava, se corria, se sorria, se chorava, só sabia que queria vê-lo o quanto antes. "não é possível, só são sete meses", eu pensava, mas a gravidez tem dessas surprises, então me conformei. Tivemos que nos habituar com a nova ideia as pressas e ao mesmo tempo contermos a alegria em prol do estado da saúde de Miguelito. Estava muito frágil por ser prematuro, mas reagia muito bem a todos os estímulos necessários. Todos vinham me parabenizar, me ligar, mandar mensagens e eu na correria de estar ao lado de Miguel e de Telma, ainda acostumando com a chegada de Miguel. Eu de alguma forma que não sei explicar (então deve ser psicológico, rsrsrs), também havia ficado grávido e aquele seria o momento do parto mental, de sete meses, imaginem a bagunça na mente. Um infinito turbilhão de sentimentos e responsabilidades antecipadas, estávamos todos, absolutamente todos, despreocupados até então e já havíamos feito planos e mais planos para o natal, réveillon, até chegar janeiro e a vinda de Miguel. As responsabilidades, estas sim, acompanham os sentimentos. Em um momento como este, onde o inesperado premedita o caos, temos que nos revelar fortes a qualquer custo, não importa o que aconteça, sempre seremos, enquanto pais, lembrados que outras pessoas precisam de nós e por maior que seja a "bagunça" na cabeça, temos que dar um jeito de organizar e se organizar. Sabendo sempre que temos uma vida pela frente para amar, valorizar, educar, apreciar e entre outras coisas, dar exemplos aos nossos filhos. Enfim, o mais importante é não se deixar levar apenas pela emoção do nascimento, mesmo que seja no momento inesperado, que te deixa sem saber o que fazer. Coisas de Gravidez (de sete meses).